Química > Ambiental > Biocidas - A ameaça dos agrotóxicos

Biocidas são substâncias produzidas para acabar com a vida, seja ele na forma de animais (pesticidas) ou plantas (herbicidas). Ambos são tóxicos para toda a vida no planeta, incluindo a vida humana. Eles são também conhecidos como agrotóxicos ou defensivos agrícolas.

Os venenos

Inseticidas são geralmente mais perigosos porque eles visam matar animais, e portanto seres muito similares a nós, especialmente nos níveis mais essenciais. As substâncias envolvidas em processos como respiração ou transmissão de impulsos nervosos são idênticas. Por exemplo o neurotransmissor acetil colina é igual em insetos e em humanos, e a maioria dos inseticidas modernos atua no metabolismo desta substância, de modo a comprometer o sistema nervoso e causar morte por paralisia dos músculos e consequente parada respiratória. No entanto, herbicidas podem também ser muito perigosos. A substância comercialmente conhecida como paraquat já foi muito usada em assassinatos e suicídios, por sua extrema toxicidade. É vendido em lojas de jardinagem.

Inicialmente se usavam substâncias inorgânicas , à base de elementos venenosos, como por exemplo o arsênico, que já foi usado para assassinatos durante muitos séculos, e por isso é popular em histórias de detetive e assassinos. Mais recentemente, a partir do início do século XX, ele começou a ser aplicado para matar insetos e plantas indesejadas, em compostos como o arsenato de cálcio ou arsenato de chumbo (este último agregando mais um elemento tóxico ). Até hoje o solo está contaminado com arsênico e até hoje o arsênico é usado, mas apenas em produtos para preservar a madeira.

Nos anos 40 outro inseticida começou a ser vendido, o DDT (Diclorodifeniltricloroetano), um organoclorado (molécula orgânica com hidrogênios substituídos por cloros). Foi uma revolução no mercado. Era mais barato que compostos de arsênico, já que os ingredientes são abundantes, e não era tão venenoso para animais que não são insetos como o arsênico. Ele foi eventualmente proibido nos anos 70 por ser um poluente persistente, ou seja, um que não é degradado e permanece no ambiente por centenas de anos. Poluentes orgânicos persistentes foram banidos na convenção de Estocolmo(Stockholm Convention on Persistent Organic Pollutants ), mas alguns países de terceiro mundo ainda usam para controlar a malária.

As próximas gerações de pesticidas seria degradáveis, para satisfazer a exigência de Estocolmo, mas muito mais letais, para insetos e também para humanos. A seguinte classe de pesticidas foi a dos organofosforados (substâncias orgânicas que possuem átomo de fósforo ligado a carbono). Membros desta são os gases nervosos (nerve gases) , desenvolvidos para serem utilizados como armamento químico em guerras. Um exemplo é o Sarin, que ficou conhecido por ter sido usado em um ataque no metrô de Tóquio em 1995.

As gerações seguintes, os carbamatos e os neo-nicotinoides, também atuam nos nervos mas por mecanismos ligeiramente diferentes.

Existe também a piretrina, que é uma substância natural, produzida pelo crisântemo, e que é fabricada industrialmente.

O assalto à natureza

O ataque químico à natureza prejudica o complexo equilíbrio entre todas as formas de vida que a integram, o que trás graves consequências.

A peste que se deseja eliminar não é a única vítima. Os insetos morrem e os animais que deles dependiam para sua alimentação também morrem, dessa vez de fome. Outros animais que não são a praga também são afetados; minhocas por exemplo, também se contaminam com o veneno mas podem não morrer imediatamente. Pássaros que as comem, também se envenenam, e acumulam uma dose maior do veneno porque comem várias minhocas. O predador destes pássaros, possivelmente outro pássaro como uma águia, acumulará doses ainda maiores do veneno. Este processo chama-se biomagnificação (biomagnification). Aliás a águia careca (bald eagle), que é o pássaro nacional dos Estados Unidos, só escapou da extinção porque reduziram a aplicação de DDT. A população de peixes será também afetada porque o veneno encontrará seu caminho até a água . Todo o ecossistema é envenenado, incluindo os humanos.

Às vezes a peste que se quer eliminar aumenta em vez de diminuir, pois sua população era limitada pelos seus predadores, que foram eliminados no ataque químico…

Além disso, as pestes sempre adquirem resistência ao veneno e voltam com mais força.

Portanto é necessário compreender o ecossistema, pois ele mesmo possui seus mecanismos de controle das populações, para desenvolver estratégias racionais, mesmo que usando veneno.

O controle biológico, usando bactérias e animais que atacam a peste, é o mais limpo e mais duradouro.


Muitas dessas ideias aqui expostas são desenvolvidas no livro Primavera Silenciosa, de Rachel Carlson (ler minha resenha da obra), que nos anos 60 alertou o mundo sobre o problema dos agrotóxicos. Esta obra deu origem aos movimentos ecológicos.

 

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